Ser criança no mundo digital

As marcas de moda infantil sabem que o comércio eletrónico é uma realidade incontornável. Seja através de uma loja online própria, da presença em marketplaces, ou conjugando o melhor das duas vertentes, as insígnias nacionais estão a abraçar o mundo digital e tudo o que ele representa.


Maria João Lito e Matilde Cabral (Andorine)

Segundo um estudo da Retail Economics, na próxima década, mais de metade das compras (53%) serão realizadas no mundo digital, uma subida considerável em relação aos 19% atuais. As marcas de vestuário infantil portuguesas não são indiferentes a esta realidade e estão a apostar no comércio eletrónico para fomentar o crescimento.

Através da presença em marketplaces como a Farfetch, as marcas de moda para criança  têm vindo a trilhar o seu caminho digital. É o caso da Andorine que tem na plataforma criada por José Neves uma forma «de perceber quais são os nossos mercados do cliente final, que  acabam por bater certo com os nossos clientes de wholesale: EUA, Médio Oriente e Ásia», explica Maria João Lito, fundadora da Andorine. Sem loja própria online, a Andorine exporta 100% do que produz e quer continuar a crescer, apostando na Ásia.

Igualmente a viver no universo da Farfetch e também de olhos postos no continente asiático está a Patachou, que, por sua vez, tem loja própria online. «Estamos a fazer um grande investimento no nosso website. Estamos a desenvolver um plano de negócios para aumentar as vendas online», afirma Marta Sousa, CEO da Patachou. «Vendemos cerca de 5% no canal online, o que ainda representa pouco. Sabemos que o nosso produto tem um potencial enorme para vender online. Esse é o nosso grande foco para 2019», revela ao Portugal Têxtil.

De igual modo, a Knot conta com loja própria online e presença na Farfetch. Neste momento, a marca de moda infantil prepara parcerias com outros marketplaces, como a Zalando. «Acreditamos que o nosso crescimento será muito por aí. Estamos sempre atentos a novas plataformas. Estamos ainda a trabalhar com alguns marketplaces dos EUA, com algumas parcerias para apostar mais neste universo online», adianta a CEO Carla Caetano, que garante que o negócio online é o que, hoje em dia, mais cresce na empresa, representando atualmente 10% das vendas. «Há em Portugal, essencialmente, o crescimento das bases do online em detrimento das lojas físicas. O online cresce a um ritmo muito superior ao das lojas», assegura.

O equilíbrio

Com presença em cerca de 400 lojas físicas, espalhadas maioritariamente por Itália e Reino Unido, a Wedoble está a preparar a renovação da sua loja online e está também em alguns marketplaces, como a recém-criada Dott e a Minty Square, por exemplo. «O online está a crescer bastante, mas ainda representa pouco no total da nossa faturação. Se calhar, contando com esses marketplaces, já representará entre 10% e 15%», aponta Márcia Pacheco, gestora da marca.

O mundo digital é mais forte na Maria Bianca, com as vendas digitais a representarem cerca de 50% das faturação. Foi no Reino Unido que a marca de vestuário para criança começou a vender em lojas multimarca, para depois passar para o comércio eletrónico. «Temos uma loja online que está permanentemente a vender para países como Inglaterra, França e Espanha», destaca Catarina Pereira de Lima, fundadora e diretora-geral da marca.

A conciliar os mundos físico e virtual está também a Play Up, que conta com uma plataforma B2B, onde os clientes se podem registar online e efetuar as suas compras, «o que facilita muito o negócio. Fizemos um upgrade o ano passado, para novas plataformas, tanto business to business como business to consumer», assevera o diretor geral, Bruno Correia. «Face ao volume de negócios e tendo em conta que a marca é sobretudo vendida do canal business to bussines, as vendas online ainda têm uma percentagem baixa. Porém, a verdade é que estamos com um crescimento gigante online», reconhece.

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