Sustentabilidade: aposta ganha?

Um relatório da Ceres, organização sem fins lucrativos sediada em Boston que se dedica ao tema da sustentabilidade, pôs as empresas americanas à prova. Alguns participantes das indústrias do vestuário e do calçado ficaram para trás – mas, ainda assim, estão a participar na corrida.


A Ceres publicou as principais conclusões do relatório Turning Point em fevereiro, detalhando como 613 empresas de capital aberto nos EUA abordam os desafios ESG (ambientais, sociais e de liderança). Agora, a organização divulgou as análises sectoriais, analisadas pelo portal just-style.com.

Constatou-se que apenas três (Gap, Nike e PVH) das 15 empresas de vestuário e calçado analisadas têm envolvido os investidores no tema da sustentabilidade, contra 43% em todas as 613 empresas.

A água

O desperdício de água é, dentro do tema da sustentabilidade, a questão que mais parece preocupar os investidores. «Estamos a assistir a um crescimento significativo da atenção dos investidores em relação à utilização de água», afirma Kristen Lang, diretora da Ceres Company Network.

O Investor Water Hub da Ceres, lançado há 18 meses para ajudar a melhorar a compreensão dos riscos hídricos, já atraiu 90 investidores que, juntos, gerem aproximadamente 20 biliões de dólares.

No seu relatório, a Ceres descobriu que nenhuma das empresas de vestuário e calçado avaliadas abordou os riscos relacionados com a água nas suas divulgações financeiras, embora Kristen Lang ressalve que a Gap incluiu, entretanto, uma referência à água nos riscos associados às mudanças climáticas.

«Numa altura em que investidores estão a procurar entender quais são os riscos [relativos à água] dentro dos seus portefólios, estes vão estar cada vez mais focados nas empresas de vestuário e calçado que divulgam essas informações. Esta é uma tendência chave», acrescenta Lang.

A Ceres descreveu o progresso dos sectores do vestuário e calçado sobre a utilização da água como «lento, mas estável».

Desde 2014, o número de empresas comprometidas com a redução dos seus impactos nos cursos de água duplicou de quatro para oito. No entanto, apenas a Gap, a L Brands e a Nike têm metas que priorizam a utilização de água dentro das suas cadeias de aprovisionamento.

As ambições

O relatório analisou ainda como as empresas estão a procurar reduzir os impactos ambientais e sociais nas suas operações diretas e respetivas cadeias de aprovisionamento, bem como os critérios relacionados com a divulgação de riscos de sustentabilidade, gestão e de responsabilidade executiva.

Em termos de progressos nos últimos oito anos, Kristen Lang observa que são os líderes dos sectores do vestuário e calçado, nomeadamente a Gap, Nike, VF e PVH, que «estão realmente a conduzir a indústria».

As metas de emissões de gases com efeito de estufa são um caso a apontar. A Ceres descobriu que 80% das empresas de vestuário e calçado têm compromissos com as reduções das emissões de gases com efeito de estufa, contra 64% em todos os sectores. No entanto, apenas 40% definiram metas quantitativas e temporais para reduzir as emissões, em comparação com 36% em todo o quadro.

Numa nota mais positiva, várias empresas de vestuário, incluindo a Gap, Nike e VF, comprometeram-se a estabelecer metas de emissões de gases com efeito de estufa baseadas na ciência, que comprometem as empresas com uma escala de redução consistente com a limitação do aumento da temperatura global a 2 ºC ou menos.

Os direitos humanos

Kristen Lang considera que as empresas têm agora «um entendimento muito mais aprofundado» dos riscos relativos ao respeito pelos direitos humanos nas suas cadeias de aprovisionamento.

No entanto, ainda que a Ceres tenha verificado que todas as empresas de vestuário e calçado têm agora códigos para os seus fornecedores, destinados a proteger os trabalhadores, apenas 27% promovem o respeito pelos direitos humanos através de políticas e declarações formais, contra uma média de 49% nos outros setores.

Globalmente, Lang sublinha que há «bons sinais» de que as empresas de vestuário e calçado analisadas pela Ceres estão «a esforçar-se por incorporar a sustentabilidade nos negócios» em vez de adotarem uma «abordagem mais isolada, abordando uma questão ou área de impacto específica».

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