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Portugal Textil
Publicado em
5 de abr. de 2018
Tempo de leitura
4 Minutos
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Taxa turística na moda

Por
Portugal Textil
Publicado em
5 de abr. de 2018

A taxa turística entrou em vigor no dia 1 de março e os designers sediados no Porto – com lojas em pontos turísticos da cidade – estão do lado do executivo camarário, ainda que para as associações hoteleiras a medida seja «injusta» e «excessiva».


Desde o início do mês, tornou-se obrigatório o pagamento de 2 euros por noite (a aplicar-se a hóspedes com mais de 13 anos e num máximo de sete noites seguidas), para quem escolher dormir no Porto – situação que tirou o sono aos hotéis e operadores.


Segundo a agência Lusa, as associações do sector avaliaram a medida de «injusta» e «excessiva». Para a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (Aphort), a medida «prejudica os hotéis porque é aplicada a quem pernoita no Porto e não a quem o visita», opinião partilhada pelo presidente da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), que consideraria «mais justo» se a taxa fosse extensiva a visitantes, e que o valor de 2 euros é «desproporcional» à realidade do Porto face, por exemplo, a Lisboa, onde a pressão urbanística é maior e o valor da taxa menor.

Já a Câmara do Porto espera arrecadar cerca de seis milhões de euros por ano com a taxa, alocados para medidas com vista a «mitigar a pegada turística».

Turismo de moda

Os designers há muito sediados na Invicta e com lojas espalhadas por pontos nevrálgicos da cidade estão do lado do executivo de Rui Moreira… com reticências.

Há quase 20 anos de portas abertas no Porto, Anabela Baldaque continua a garantir a maioria das vendas da marca epónima no mercado nacional, mas os turistas entram e saem da sua loja com regularidade.

«Temos visitas de estrangeiros e que repetem. Repetem a cidade do Porto e repetem consumir Anabela Baldaque», conta ao Portugal Têxtil, colocando os turistas brasileiros e chineses, com elevado poder de compra, no topo da lista. «Ainda não senti qualquer impacto, desde que a taxa turística foi aplicada, nem acho que vá sentir», acrescenta.

No ano passado, Júlio Torcato uniu esforços com a filha Inês e inaugurou uma loja/atelier no Porto, a partir da qual os dois já expedem encomendas para diferentes destinos.

«Já fizemos várias vendas a turistas ou, pelo menos, para estrangeiros. Ainda há pouco tempo enviámos uma encomenda para a Alemanha, para pessoas que estiveram na loja, mas vivem lá», diz o designer, que não acredita que a taxa vá afetar o negócio. «Lá fora existe e é algo que está estabelecido, aqui, como é o início, há sempre alguma contestação, mas não creio que vá influenciar alguma coisa no futuro», considera.

Agora no número 812 da Rua de Sá da Bandeira, no Porto, a nova loja de Luís Buchinho, inaugurada no final de 2017, veio substituir o ponto de vendas na Rua José Falcão e tem vindo a receber os muitos turistas que passeiam pela rua central e comercial que une a zona da Trindade a São Bento.

«Os turistas não são o maior percentual de clientes, mas temos alguns. Agora, a taxa não acho que nos venha a afetar, porque é algo que acontece em muitas cidades europeias», afirma o designer.

Já no próximo mês de abril, Luís Buchinho terá Nuno Baltazar como “vizinho”. O designer está prestes a mudar-se da Avenida da Boavista, onde abriu a loja em 2005, para a Rua do Bolhão.

A nova morada fixa da marca epónima de Nuno Baltazar, muito próxima da de Luís Buchinho, ambiciona receber mais visitas internacionais, com o “boom” do turismo no Porto «a influenciar muito a escolha», nas palavras do designer, plenamente de acordo com a aplicação taxa. «Acho até que o valor deveria ser superior», exclama. «Temos uma oferta turística com preços tão acessíveis que temos de cuidar da cidade. O importante é, depois, sabermos olhar para aquilo que acontece às taxas turísticas e que elas, efetivamente, sejam fundos aplicados na conservação, limpeza e na melhoria das condições para residentes e turistas», analisa.

Até aqui muito próxima de Nuno Baltazar, na Rua da Boavista, a loja de Katty Xiomara tem sido «muito visitada» por estrangeiros, oriundos, por exemplo, da Alemanha, Bélgica, França, EUA e Canadá.

«Só no nosso quarteirão há seis hotéis, pelo que acaba por haver ali um fluxo muito grande de turistas», explica Katty Xiomara, considerando «muito baixo» o valor da taxa e, por isso, «com pouca força» para alterar isso. «Além disso, acho que a cidade deve tirar partido deste crescimento do turismo», defende.

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