Têxteis: aumenta a doação de itens usados entre os portugueses

Numa altura em que, cada vez mais, os consumidores estão consciente do impacto no meio ambiente da indústria da moda, uma das mais poluentes, aumenta a adesão a iniciativas que reduzam este peso. Além de exigirem uma abordagem mais consciente por parte das marcas, que gradualmente dão passos para reduzirem a sua pegada ambiental, como aconteceu recentemente com a Burberry, que anunciou que deixaria de destruir produtos não vendidos, os próprios consumidores contribuem para um setor da moda mais sustentável.
 
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As próprias marcas, além de mudarem os seus comportamentos, incentivam à adesão dos consumidores. Exemplo disso é a iniciativa ‘Doar é Receber”, promovida pela marca de moda infantil Zippy em colaboração com o projeto Heat the Street. A marca portuguesa apela a que, até 18 de novembro, sejam doados agasalhos de criança nos contentores que disponibiliza nas suas lojas, que posteriormente serão doados. Em troca, oferece desconto na compra de um novo casaco.
 
Em Portugal, entre janeiro e outubro de 2017, foram doadas 2410 toneladas de têxtil usado, o equivalente a 4,19 milhões de peças de roupa. Os dados são da Humana Portugal, uma associação sem fins lucrativos que, desde 1998, se dedica à proteção do meio ambiente através da promoção da reutilização têxtil e de programas de cooperação de desenvolvimento em África e de apoio local em Portugal.
 
A Humana acrescenta ainda em comunicado que a mudança de estação parece influenciar a doação de bens: só durante o mês de outubro, a associação angariou mais de 287 toneladas de têxtil usado.
 
Os têxteis doados, que são recolhidos através da rede de contentores da associação, mais de mil no total), são posteriormente reintroduzidos no mercados através da reutilização ou reciclagem. Das peças recolhidas, cerca de 61% são preparadas para reutilização (15% para lojas em segunda mão em Portugal e 46% exportadas sobretudo para África, onde são vendidas a preços de mercado), 29% são vendidas a empresas de reciclagem têxtil por não estarem em boas condições para reutilização, 1% são resíduos impróprios (plástico, cartão e outros), dos quais se encarregam gestores autorizados correspondentes, e 9% não podem ser reutilizadas, recicladas ou valorizadas energicamente, pelo que são enviadas para um centro de tratamento de resíduos para serem eliminadas.
 
No mesmo documento, a Humana recorda que “a reutilização e a reciclagem de têxtil contribuem para a poupança de recursos, a proteção do meio ambiente e para a luta contra a mudança climática”, acrescentando ainda que “as 2.410 toneladas de roupa recolhidas no ano passado representam uma redução de cerca de 7.639 toneladas de CO2 na atmosfera”.
 
Filipa Reis, promotora nacional da Humana Portugal, explica que “à medida que aumenta a recolha seletiva do resíduo têxtil crescem também as possibilidades de reutilizar essas peças ou de pelo menos recuperar as suas matérias-primas”. “O resíduo têxtil converte-se num recurso com uma segunda vida e assim contribuímos para a sustentabilidade ambiental. As peças das quais nos desfazemos convertem-se facilmente num motor de progresso em Portugal e gerador de fundos para a cooperação ao desenvolvimento em países como Guiné-Bissau e Moçambique.”
 
Apesar dos números registados entre janeiro e outubro desde ano, a responsável nota que “ainda há um grande caminho a percorrer”: de todas as peças descartadas anualmente pelos portugueses (195 mil toneladas em 2017), apenas são recuperadas 4,3%, isto apesar do potencial de aproveitamento dos resíduos têxteis, visto que, acrescenta a Humana, “mais de 90% das peças de roupa usadas são passíveis de ter uma segunda vida através da reutilização ou reciclagem”.

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