Tom Ford no metro de Nova Iorque

Caso ainda não soubéssemos, comprova-se que Tom Ford ainda é capaz de conjugar dois empregos: colocar a temporada de moda de Nova Iorque em forma, como novo presidente do CFDA, e criar uma impressionante nova coleção.


Tom Ford - primavera-verão 2020 - Nova Iorque - Fotografia: Tom Ford

Na verdade, são três tarefas, já que Ford também organizou um grande espetáculo, levando um regimento selecionado de especialistas em moda e formadores de opinião para as entranhas de Manhattan. Uma estação de metro abandonada, na qual se entrava através de um pequeno bar pitoresco, numa loja abandonada na esquina da Kenmare Street e Bowery. Uma estação abandonada, com operários a guardar os carris e uma primeira fila de cadeiras danificadas - o cenário perfeito para uma sutil mudança de marcha pelo designer texano.
 
O ambiente também desceu ao subsolo. Tom injetou uma dose perfeita de perversidade na moda, imediatamente desde o trio de abertura. Borbulhantes vestidos de cetim em ferrugem e em ecru, complementados com tops de seda escorregadios. Gigi Hadid e companhia usavam penteados ao estilo Iroquois. Depois, surgiu Kaia Gerber com calções curtos, pernas sem fim e um smoking de cetim cortado com uma precisão impressionante. 

“Como a maioria dos designers, quando começo uma nova temporada, começo com uma parede de imagens que acho inspiradoras naquele momento específico… Geralmente, fico relutante em falar sobre as imagens que me inspiram. Acredito que foi Coco Chanel quem disse que a "criatividade é a arte de ocultar a fonte". Sempre adorei esta citação. Acredito que o que ela quis dizer é que as pessoas se deveriam inspirar nas coisas, mas alterá-las de uma maneira que as tornasse próprias. Espero fazer sempre isso e que as roupas falem por si mesmas, mas nesta temporada havia algumas imagens-chave na minha parede que inspiraram diretamente a coleção”, explicou Ford nas suas notas do programa.


Tom Ford -primavera-verão 2020 - Nova Iorque - Fotografia: Tom Ford
 
As principais inspirações? Andy Warhol e Edie Sedgwick a saírem de uma tampa de saneamento em Nova Iorque em 1965, Isabelle Adjani e Christophe Lambert em Subway, de Luc Besson, ou simples peças de jersey de seda de Roy Halston.
 
Um macacão divino, com calças dhoti em mística seda azul claro, usado com orgulho por Lineisy Montero, foi outro dos destaques, assim como alguns fatos com detalhes técnicos em couro azul cobalto, com caimento impecável. Composições clássicas cortadas com sexualidade segura de si. Em 2020, a mulher Tom Ford será uma Bond Girl.

Neste desfile misto, Ford também lembrou firmemente aos espetadores de que, quando se trata do elegante casaco smoking para a passadeira vermelha ou importantes momentos pessoais, ninguém consegue realmente competir com este criador.

Uma excelente banda sonora, ora de blues, ora industrial, com música de Jacob Banks, deu ritmo ao elenco, que desfilou com dramatismo pelos azulejos deteriorados e pelas colunas de aço azul da plataforma do metro. O clímax foi um quarteto de sutiãs metálicos, esculpidos com precisão digna de Praxiteles. Adicionando outra pitada de sensualidade e ajudando Ford a conquistar uma saudável salva de palmas da plateia.

Traduzido por Estela Ataíde

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