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Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
23 de out. de 2017
Tempo de leitura
3 Minutos
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Topshop encerra lojas em Espanha e analistas dizem que preço era um problema

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
23 de out. de 2017

A notícia de que a Topshop fechou as suas quatro lojas em Espanha soma pressão à cadeia de fast fashion (que em tempos parecia imparável), após os negócios franchisados da empresa na Austrália e Nova Zelândia terem fracassado, no início deste ano.


Topshop


E os problemas da marca em Espanha foram ainda mais acentuados pelo sucesso da Zara e das restantes marcas do grupo Inditex. Aparentemente, a Inditex ainda não alcançou um ponto de saturação no que diz respeito a novas lojas, apesar do gigantesco número de pontos de venda que tem espalhados pelo país.
 
A Topshop fechou agora a sua loja em Barcelona, a sua única loja própria, bem como as lojas em Madrid, Marbella e Granada, que operava com o parceiro local Glasak. As notícias chegam depois de o negócio da marca em Espanha ter registado perdas de 400.456 euros em 2016, uma queda de mais de 8% para 6,01 milhões de euros, após ter conseguido um pequeno lucro no ano anterior.

A Topshop estava em Espanha desde 1999, mas, além de detalhar as suas perdas neste último balaço, a Glasak também informou que a marca não estava a conseguir criar uma ligação com o consumidor espanhol. Algumas informações também dão conta de que a marca era vista como sendo de gama inferior.
 
Os encerramentos estão a ano-luz da confiança demonstrada há um ano. A loja de Granada abriu apenas no final do ultimo ano, pouco depois de a Arcadia ter renovado o negócio da Topshop com a Glasak por mais 10 anos. Os parceiros disseram então que planeavam abrir uma série de novos pontos de venda.

PROBLEMAS DE PREÇOS?
 
Então, o que correu mal em Espanha? É difícil dizer. Na Austrália, as críticas diziam que o produto, previamente selecionado em Londres, não se adequava ao mercado local. Em Espanha, embora o país registe temperaturas semelhantes às australianas, a proximidade geográfica com o Reino Unido e o estilo europeu deveria ter permitido à empresa superar esses desafios.  
 
A resposta talvez esteja no preço, visto este ser bastante importante no mercado espanhol. Com salários que ainda não regressaram aos níveis pré-crise financeira e elevadas taxas de desemprego entre os jovens consumidores, o preço talvez seja o fator decisivo em muitas vendas de moda em Espanha. E, atualmente, o consumidor tem muitas mais opções de moda acessível do que tinha na época em que a Topshop chegou a Espanha.


Topshop


Os produtos da Topshop vendiam-se a um preço ligeiramente superior ao praticado pelas concorrentes diretas Zara e H&M. Além disso, os analistas afirmaram que o seu alvo, o jovem cliente espanhol, tem optado por plataformas de moda online como Asos, Missguided e Boohoo para seguir as tendências atuais a preços inferiores. A Asos investiu importantes somas de dinheiro para adaptar os seus preços aos diferentes mercados internacionais, preparando-se para sacrificar os lucros em prol de um aumento das vendas.
 
A questão é: com as vendas da Topshop no Reino Unido também sob pressão, conseguirá a marca recuperar e até, a certa altura, regressar ao mercado espanhol?

As suas hipóteses de sucesso dependem muito da sua nova equipa de gestão. Paul Price, ex-executivo da Burberry, está agora à frente da Topshop, e o ex-consultor de moda David Hagglund é o novo responsável criativo, o que significa que podemos contar com algumas grandes mudanças por parte da empresa nos próximos meses. Se isso poderá significar um regresso a Espanha é algo ainda por definir.
 

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