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Trabalhadores do Bangladesh dizem às marcas globais de moda para pagarem mais pelas roupas

Por
Reuters
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 18 de set de 2018
Tempo de leitura
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Trabalhadores do setor do vestuário no Bangladesh rejeitaram o aumento do salário mínimo, alegando ainda não ser o suficiente, e pediram que as marcas globais paguem mais pelas roupas que compram, disseram os sindicatos na segunda-feira (17).


O Bangladesh elevou o salário mínimo em mais de 50% na semana passada, para 8.000 taka (US $ 95,5) por mês - o primeiro aumento desde 2013 - Reuters


O Bangladesh elevou o salário mínimo em mais de 50% na semana passada para 8.000 taka (US $ 95,5) por mês, o primeiro aumento desde 2013, quando uma série de acidentes fatais em fábrica trouxeram à tona condições de trabalho precárias.

"Os novos salários anunciados não são suficientes para que os trabalhadores tenham uma vida decente", disse Mohd. Raisul Islam Khan, coordenador de campo da IndustriALL Global Union.

“Os trabalhadores exigem 16.000 takas. Não estão felizes e muitas organizações falam de uma greve por tempo indeterminado se os salários não forem reconsiderados”, disse à Thomson Reuters Foundation.

O Bangladesh tornou-se o segundo maior produtor de vestuário do mundo, ficando atrás apenas da China e a sua indústria de 30 mil milhões de dólares, empregando cerca de quatro milhões de pessoas, 80% das quais mulheres.

Os seus trabalhadores estão entre os mais mal pagos do mundo, segundo um relatório de compensação divulgado pela Fair Labor Association (FLA) em abril.

A renda de horas extra é responsável por 20% do salário, segundo a organização, e metade dos trabalhadores trabalham mais de 60 horas por semana, apesar do impacto na sua saúde.

"A decisão de elevar os salários dos trabalhadores do setor de vestuário no Bangladesh é um passo encorajador - embora muito atrasado - na direção certa", disse Sharon Waxman, da FLA, num comunicado, acrescentando que a luta por salários justos deve continuar.

Os sindicatos também disseram que as metas de produção não devem ser aumentadas após o aumento salarial, que muitos proprietários de pequenas e médias empresas afirmam ser um "fardo" que pode levar ao encerramento de unidades.

"Após o último aumento salarial em 2013, percebemos que muitas fábricas aumentaram a meta de produção para os trabalhadores e a pressão de trabalho cresceu muito", disse Nahidul Hasan Nayan, secretário geral da Sommilito Garments Sramik Federation, que apoia os sindicatos.

"Os trabalhadores vieram até nós e disseram que o salário subiu, mas não tiveram sequer  um minuto para beber água ou usar a casa de banho durante o seu turno."

Khan disse que a situação melhorou desde que o colapso do complexo Rana Plaza em 2013 matou 1.136 trabalhadores de vestuário, mas as marcas de moda têm a obrigação de fazer mais.

"As marcas precisam de se esforçar mais e pagar mais pelas roupas que estão a comprar", disse. “Depois do desastre do Rana Plaza, a indústria de vestuário e retalho do Bangladesh fez grandes esforços para responder aos padrões internacionais. Agora, as marcas internacionais têm que mostrar o seu compromisso com os trabalhadores.”

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