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Portugal Textil
Publicado em
7 de out de 2020
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5 Minutos
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Três linhas de evolução nas máscaras

Por
Portugal Textil
Publicado em
7 de out de 2020

As máscaras de proteção devem tornar-se no novo normal na Europa, tal como já o são na Ásia, devendo manter-se durante os próximos meses e, provavelmente, anos como peça obrigatória. Moda, performance e sustentabilidade parecem ser as três direções a seguir.


©Adidas


Os equipamentos de proteção individual fazem já parte do quotidiano e as máscaras são um artigo indispensável e obrigatório em muitos países, assumindo-se, assim, como o novo normal nas ruas. Depois dos cuidados com as necessidades básicas, nomeadamente a oferta em número suficiente para responder à procura, o mercado das máscaras deverá agora evoluir. «A pessoa média compreende que o Covid-19 ficará connosco pelo menos até a vacina ser desenvolvida e disseminada globalmente, por isso esperamos ver as máscaras na oferta [das marcas] nos próximos 12 a 18 meses», afirma Benjamin Ayer, fundador do gabinete de tendências de moda Benjamin Bellwether.

As pesquisas por máscaras não-cirúrgicas continua elevada, de acordo com a plataforma de pesquisa de moda Lyst, tendo aumentado 510% desde o início do ano até aos primeiros dias de maio. «Tendo em conta o quão rapidamente os consumidores adotaram as máscaras como nova categoria de produto, vemos isso a continuar a ser um item essencial nas coleções das marcas de todas as gamas de preços, desde as retalhistas de fast-fashion a marcas independentes e designers de luxo», assegura Hallie Spradlin, diretora de acessórios na empresa de pesquisa de mercado Fashion Snoops.

A curto prazo, Ayer acredita que quase todas as categorias e mercados deverão conseguir operar um negócio de máscaras rentável. «É uma questão simples de oferta e procura e os clientes estão a aceitar pagar cada vez mais por máscaras que podem reutilizar», aponta.

Moda

Mas há que adaptar estas máscaras às exigências dos consumidores. «As marcas devem criar produtos com o seu cliente específico em mente, seja numa perspetiva de cores ou materiais», adverte Hallie Spradlin. «Os indivíduos ainda querem expressar-se como fariam com qualquer escolha que fazem em vestuário ou acessórios, por isso [tenham em conta] tendências como cores ousadas, mensagens positivas ou estampados e padrões que refletem o consumidor-alvo de cada marca», acrescenta.

Há uma hipótese elevada de que as máscaras se tornem num novo símbolo de estatuto no mercado da moda de luxo. Mesmo antes da pandemia, «máscaras faciais elaboradas» faziam parte do estilo de rua captado nas semanas de moda e influenciadores da Geração Z, como a estrela pop Billie Eilish, apareciam com máscaras de design em eventos de alto perfil, como os Grammys, onde este ano Eilish surgiu com uma versão decorada da Gucci.

Já as marcas de luxo têm o entrave do preço. «Já não se consegue justificar cobrar um valor elevado por uma máscara – pelo menos por agora –, por isso quando se acrescenta o valor adicional do marketing e outros custos para fazer uma colaboração, provavelmente não há margem», explica Benjamin Ayer.

Sharon Graubard, fundadora e diretora criativa do gabinete de tendências Mintmoda, revela que «as grandes oportunidades são máscaras integradas nas peças de vestuário, como uma gola alta que se puxa para cobrir a boca e o nariz ou um gorro com um painel que se puxa para baixo ou um capuz com um painel».

Performance

Em termos de performance, «a produção de máscaras é natural para as empresas de activewear, muitas das quais já estão a desenvolver máscaras especializadas para quem corre e faz outros desportos de outdoor», indica a fundadora do Mintmoda. «Penso que a grande oportunidade são versões mais elegantes, de elevada performance, em materiais respiráveis antimicrobianos ou antivirais», destaca.

Várias marcas já se posicionaram neste âmbito. A Adidas vende um pacote de três máscaras reutilizáveis produzidas com poliéster reciclado. A NB Face Mask v3 da New Balance procura aliar conforto e ajuste com uma construção leve de três camadas, uma peça moldável para o nariz e presilhas elásticas nas orelhas. A Outdoor Voices enfatiza a respirabilidade das suas máscaras laváveis concebidas a partir de tecidos com aprovação Bluesign.

«A inovação dos materiais é fundamental para as máscaras, como forma de integrar tanto elementos de proteção como benefícios de saúde», acredita a diretora de acessórios da Fashion Snoops. «Alguns materiais que temos seguido incluem tecidos antimicrobianos como viscose de bambu e acabamentos desinfetantes, assim como materiais infundidos de probióticos para apoio à imunidade», adianta.

As máscaras reutilizáveis devem também ter propriedades de secagem rápida e de cuidados fáceis, afiança Graubard, acrescentando que há a necessidade de tecidos que afastem a humidade e tecidos que arrefeçam.

Sustentabilidade

A categoria de produto também se presta a outra tendência cada vez mais importante: o upcycling. Uma tendência que a Fashion Snoops tem visto desde o início desta pandemia, garante Hallie Spradlin, com as marcas a criarem máscaras a partir de restos de materiais ou stock que tinham de antigas produções.

A nova abordagem tem sido usada por insígnias como a Reformation, Mother Denim e Joe’s Jeans. Esta produção estratégica de máscaras, assevera a especialista, posiciona qualquer empresa de vestuário para ter a oportunidade de responder às exigências do momento introduzindo esta nova categoria de produto sem ter de imediatamente investir em novos recursos, ao mesmo tempo que reduz os resíduos.

O designer chinês Zhijun Wang tem desenvolvido máscaras funcionais antipoluição, obtidas a partir de materiais usados na produção de ténis. «Os seus designs techno podem inspirar toda uma nova direção nas máscaras, tornando-as tão desejáveis quanto os mais recentes ténis para looks streetwear», reconhece Sharon Graubard.

«Seria ótimo se pudéssemos continuar a usar máscaras como forma de destacar a sustentabilidade e criar modelos de economia circular», confessa Benjamin Ayer, sublinhando que as máscaras upcycled são uma solução para o vestuário no fim do seu ciclo de vida.

«Seria interessante ver as marcas a utilizar tecidos reciclados ou a colocar as peças de vestuário antigas que estão em websites de aluguer de novo no ciclo da moda desta forma, onde as roupas podiam ser limpas e cortadas para fabricar máscaras», resume o fundador do Benjamin Bellwether.

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