Troficolor investe na imagem

A final do concurso de jovens designers que promoveu a 29 de junho serviu de mote para a Troficolor inaugurar um novo showroom nas instalações que ocupa desde o ano passado.


Os resquícios da Mabor são ainda bem visíveis naquela que é a nova casa da Troficolor. O complexo, composto por vários edifícios, que a especialista em tecidos denim ocupa, em definitivo, desde o ano passado, e que implicou um investimento que já ultrapassa o milhão de euros, mantém a traça claramente industrial que esteve na sua origem na década de 40 e, no novo showroom, são vários os elementos que contam esse passado e que servirão de cenário para que a Troficolor abra um novo capítulo na sua própria história de 62 anos.

O denim a concurso

Inaugurado a 29 de junho, o showroom serviu de palco à final do concurso Denim Young Contest que a empresa promoveu e que consagrou José Vieira, aluno da Escola de Moda do Porto. «A ideia foi, por um lado, dar a conhecer os miúdos ao mercado mas também é uma ajuda para os nossos clientes, para que percebam a importância que têm os designers para criarem uma marca ou, mesmo quando trabalham em private label, poderem desenvolver modelos para apresentarem aos clientes finais», explica o CEO Carlos Serra ao Portugal Têxtil.

Além das 78 candidaturas, das quais foram selecionadas as 20 que desfilaram, a Troficolor convidou ainda os designers Inês Torcato, Sara Maia e David Catálan para produzirem três coordenados que foram mostrados no mesmo evento. «Achámos que era também um dever nosso não nos esquecermos daqueles que já tínhamos patrocinado», justifica Carlos Serra.

O concurso, que se deverá realizar anualmente e que, nas próximas edições, pode assumir uma vertente internacional, com o convite aos jovens designers a poder ser alargado a escolas de Espanha e Itália, teve ainda uma outra vertente que o CEO da Troficolor pretende potenciar no futuro: as parcerias. «Convidámos lavandarias, convidámos as empresas que produzem linhas… O que eu quero, no futuro, é juntar tudo. O cliente, quando chegar cá, tem que encontrar um conjunto de intervenientes que estejam disponíveis para materializar aquilo que ele quer, que é uma peça final no mais curto espaço de tempo possível», revela Carlos Serra, que afirma que esta primeira edição do Denim Young Contest «foi o despoletar de algumas consciências». No entanto, «ainda há uma dificuldade grande em fazer passar a mensagem da importância de que temos de estar todos o mais próximo possível. E acho que esse é o grande problema que vive toda a indústria portuguesa. Apesar de já termos feito coisas importantíssimas – há empresas que já fizeram gabinetes de desenvolvimento próprios –, ainda há muita empresa que precisa de mudar de mentalidade. Para estarmos nos tempos atuais, precisamos de mudar mentalidades», assegura.

Bons negócios em 2018

É nesta mudança de mentalidades e com uma imagem cuidada que a Troficolor está cada vez mais posicionada, num percurso que nos próximos anos será, essencialmente, de consolidação. Apesar do crescimento para um volume de negócios que rondou os 4,5 milhões de euros em 2017, «não estamos obcecados com números. Para nós, o importante é o serviço ao cliente e, ao mesmo tempo, a rentabilidade», reconhece o CEO da empresa, que emprega 16 pessoas. O primeiro semestre do ano, contudo, trouxe um crescimento de 12% face a igual período do ano passado. «Se as oportunidades aparecerem, nós vamos agarrá-las», garante Carlos Serra.

Com duas coleções anuais, que são atualizadas frequentemente ao longo do ano, a empresa tem uma quota de exportação direta de 30%, para mercados como Espanha, França e Itália, mas também para o Japão. Quanto a clientes, o grupo Max Mara tem sido um dos parceiros de longa data da Troficolor. «Todo o tecido que nos compram é revistado, o que implica muitos cuidados, mas isso só nos enriqueceu – o facto de trabalharmos com clientes que são muito exigentes ajuda-nos a crescer», admite o CEO.

Quanto aos negócios em Portugal, cerca de 55% da faturação da empresa é para clientes internacionais, que compram através dos confecionadores nacionais, e os restantes 15% são para clientes portugueses, onde se incluem as marcas Salsa, Tiffosi, Decenio e Lion of Porches.

Portugal é ainda importante na produção. «Tudo o que podemos compramos cá ou compramos fora – em países como o Paquistão, a China, a Índia – e acabamos cá, em parceiros como a Somelos, a TMG ou a Adalberto, a nível de estamparia», destaca Carlos Serra.

A mais-valia do stock service

Com o stock service a ser uma das mais-valias da empresa, permitindo que marcas mais pequenas possam adquirir tecidos em quantidades inferiores às exigidas habitualmente pelos produtores, o CEO da Troficolor acredita que a empresa poderá beneficiar de novas oportunidades e, acima de tudo, consolidar o seu posicionamento, dentro e fora de Portugal.

«Queremos continuar a ser líderes em Portugal. E isso passa naturalmente pelo acompanhamento que damos ao cliente em termos comerciais. Enquanto nos outros países temos agentes, em Portugal temos colaboradores da Troficolor. É absolutamente clara a importância que damos ao mercado português, não só àqueles que produzem para marcas portuguesas mas também àqueles que produzem para terceiros, que têm de ser devidamente acompanhados», assume. «Lá fora, estamos com a preocupação de continuar a fazer uma abordagem musculada ao mercado externo – provavelmente vamos contratar mais uma pessoa para a parte comercial –, mas mais virado para termos um bom acompanhamento aos clientes e aos mercados que temos», conclui Carlos Serra.

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