Turismo e países emergentes impulsionam o mercado de luxo
As grifes de luxo continuarão colhendo bons frutos fora de suas fronteiras predominantemente europeias. Esta é a conclusão do relatório "Global Powers of Luxury Goods 2017" da empresa de auditoria e consultoria, Deloitte, que mostra como, mais uma vez, o turismo internacional e o consumo dos países emergentes são os principais motores de crescimento da indústria do luxo.

"O turismo ainda representa uma enorme oportunidade de crescimento para o luxo: quase metade (47%) das compras de artigos de luxo são feitas por turistas, seja em país estrangeiro (31%) ou em aeroportos (16%), relatou Bénédicte Sabadie, sócia e responsável pelo setor de luxo da Deloitte France, à FashionNetwork.com.
O número é realmente alto, 60% das compras de luxo são feitas por consumidores da China, Rússia e Emirados Árabes Unidos. Nestes países, a percentual de consumidores que aumentaram suas despesas nos últimos cinco anos é de 70%, contra 53% em mercados mais maduros como Europa, EUA e Japão.
"Esses clientes estão consumindo mais, especialmente quando viajam, porque em casa eles não têm acesso à mesma vasta variedade de produtos, ou até mesmo aos mesmos produtos e marcas, disponíveis em mercados mais maduros. Além disso, a diferença de preço ainda permanece significativa, apesar das políticas de harmonização adotadas por algumas marcas no ano passado", disse Bénédicte Sabadie.
O relatório revelou que os preços podem variar e, dependendo da marca, podem ser 20% a 70% mais altos na China do que na França. Essas diferenças explicam por que as fronteiras geográficas do setor de luxo estão sendo redesenhadas, uma vez que os clientes são cada vez mais voláteis e se adaptam rapidamente às novas oportunidades oferecidas pelo mercado.
Outra tendência significativa é a crescente importância das ferramentas digitais. A experiência é muito importante no luxo, mas a qualidade continua sendo um dos seus pilares. Embora os consumidores, especialmente os mais jovens, tenham uma sede de tecnologia e inovação, e estejam dispostos a reproduzir na web a experiência exclusiva que desfrutam nas lojas físicas, a alta qualidade do produto continua sendo prioridade, e os produtos artesanais e feitos à mão estão se tornando cada vez mais cativantes.

"A qualidade continua sendo o principal condutor da compra de produtos de luxo em todos os mercados que pesquisamos." Os consumidores chineses afluentes são os mais preocupados com esse quesito: 93% compram bens de luxo por sua alta qualidade, 90% são atraídos por produtos feitos à mão, e 89% evitam comprar produtos de luxo que não sejam sustentáveis", afirmou o relatório.
"Em poucas palavras, este é o paradoxo inerente ao novo comportamento de compra dos consumidores de luxo: enquanto eles estão extremamente interessados em inovação, também são fortemente atraídos pelo artesanato e a tradição. De fato, 37% dos entrevistados acreditam que produtos de luxo e tecnologia estarão cada vez mais interligados no futuro", observou Bénédicte Sabadie.
Neste contexto, os consumidores anseiam cada vez mais produtos personalizados, graças às oportunidades oferecidas pela Internet e pelas novas tecnologias. Hoje em dia, os consumidores de luxo não se satisfazem mais com lojas que ofereçam os mesmos produtos em qualquer lugar do mundo. As expectativas mudaram radicalmente: 39% dos consumidores exigem entrega domiciliar, 44% deles esperam receber brindes e 45% buscam produtos e serviços customizados.
O novo desafio que as marcas de luxo enfrentam, portanto, é a criação de produtos customizados em larga escala.
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