Uma Semana da Alta Costura de Paris mais italiana que francesa

Embora a semana parisiense de alta costura se chame Haute Couture, nesta temporada  poderia chamar-se Alta Moda, de tão dominada que foi por talentos italianos.


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Christian Dior - outono-inverno 2019 - Alta Costura - Paris. - © PixelFormula

Como Garibaldi exilado em Paris antes de regressar para estabelecer a independência de Itália, meia dúzia de italianos conquistaram as passarelas da alta costura de Paris, numa semana que será provavelmente considerada vintage. Uma temporada que anunciou o regresso do daywear à alta costura. E, apesar de uma explosão de cores, houve o renascimento do preto. Além disso, também foi exposta artisticamente a arquitetura interior da moda.

Maria Grazia Chiuri para a Christian Dior, Pierpaolo Piccioli para a Valentino e Giorgio Armani para si mesmo realizaram excelentes espectáculos, com grandes ideias que fizeram com que fossem merecidamente aplaudidos de pé pelo público presente.

Maria Grazia Chiuri também foi premiada com a Légion d'Honneur numa sala lotada na sede da Dior, na Avenue Montaigne. A criadora relembrou a sua juventude como uma "jovem curiosa que foi estudar moda em Roma”, que se tornou na feminista de maior destaque na moda. Na era do Me Too, fez crescer os negócios da moda da Dior mais do que todos os seus antecessores homens nos últimos cinquenta anos.

Além disso, a sua coleção para a Dior foi excelente: uma meditação sobre as semelhanças da alta costura com a arquitetura, o que a estilista italiana chamou de "archi-couture", contendo todo tipo de roupas elegantes e austeras, quase todas em preto.

No entanto, o verdadeiro líder do ataque estético do contingente italiano em Paris foi Pierpaolo Piccioli, o antigo companheiro de design de Chiuri na Valentino. O seu historicismo fresco e inclusivo e o seu belo sentido de proporção e volume tornaram o seu mais recente espectáculo para o Valentino um verdadeiro momento da moda.


Valentino —Alta Costura — Paris - © PixelFormula

Merece também destaque o gesto de cavalheirismo de Piccioli que pediu aos funcionários do seu atelier para se juntarem a ele numa longa caminhada pela passarela após o seu desfile, sendo ovacionado de pé por uma plateia que incluiu Gwyneth Paltrow e Céline Dion. Um espetáculo realizado na mansão histórica Salomon de Rothschild num bairro nobre de Paris, onde muitos multibancos não foram reparados depois de terem sido destruídos pelos "coletes amarelos".

Os desfiles dos estilistas em Paris foram repletos de estrelas. Especialmente no caso da Armani Privé, que teve a presença de Nicole Kidman sentada entre os seus dois maridos, o verdadeiro, Keith Urban, e o fictício, Alexander Skarsgard, marido da sua personagem na série da HBO “Big Little Lies”.

Armani misturou ares asiáticos com referências Art Déco, num excelente espetáculo que lembrou ao público que quando se trata de alta costura, Giorgio ainda é o melhor, não importa o lugar. Não é de admirar que tenha sido fortemente aplaudido, fazendo uma reverência como um duque digno de um filme de época de Visconti.

Outro espetáculo italiano foi o de Giambattista Valli, que cativou com uma nova forma de apresentação: uma exposição de cinco horas dentro dos salões históricos do hotel Shangri-La.

Mas, também se viram outros programas de qualidade: do absurdo alto glamour de Jean-Paul Gaultier às fantasias de penas de Clare Waight Keller para a Givenchy. O francês Stéphane Rolland impressionou com as suas formas fluidas, tão inspiradoras que imediatamente encontraram uma nova vida em algumas belas ilustrações do artista inglês David Downton. Enquanto a Ralph & Russo também teve impacto com a sua visão mais deslumbrante de alta costura, organizada com elegância numa interminável passarela branca na embaixada britânica.


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Giovanni Bedin - outono-inverno 2019 - Alta Costura - Paris

Dito isto, a alta costura também tem a ver com inovação, e poucos conseguiram apresentar criações estéticas mais inovadoras do que Giovanni Bedin. O seus espartilhos geniais e inteligentes distinguem-no como um talento especial.

No entanto, para completar a aventura italiana, a marca fundada pela estilista mais famosa que já nasceu em Itália, Elsa Schiaparelli, apresentou o seu novo diretor criativo. Desta vez, um jovem nascido no Texas, Daniel Roseberry.

Assim que a temporada terminou, dezenas de jornalistas viajaram na manhã de quinta-feira (4) para mais dois dias de alta costura. Mais uma vez, com dois dias de Alta Moda: Dolce & Gabbana no fim de semana, na Sicília; e Fendi, no centro nevrálgico do mundo antigo, o Monte Palatino, no Fórum Romano.

Traduzido por Novello Dariella

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