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Uma semana virtual de alta costura rica em aprendizagem

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
10 de jul de 2020
Tempo de leitura
4 Minutos
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Paris fez uma "limpeza" com a sua primeira Semana da Moda digital, concentrando-se nas coleções de Alta Costura para a época de outono-inverno 2020/21. Esta primeira imersão na web para casas parisienses foi muito interessante, reflectindo de uma forma única, através da moda e de diferentes olhares dos estilistas, a situação atual. O de um mundo em mudança, ferido pela pandemia de COVID-19, mais consciente das diversidades e aspirante à mudança.


Silhueta com máscara assinada pelo designer indiano Rahul Mishra - Rahul Mishra


O confinamento e o novo coronavírus estavam inevitavelmente presentes, por vezes a dominarem os vídeos e o tema, ou aparecendo como marca de água em muitos filmes, a partir das máscaras que eram usadas pelas costureiras e designers, por vezes até formando parte integrante dos olhares, como em Rahul Mishra ou La Méthamorphose.
 
As dificuldades ligadas a este estranho período eram também evidentes em algumas apresentações centradas num único espaço, muitas vezes com apenas um modelo (e também através dos ecrãs). Desde o modelo da maison Rabih Kayrouz, isolada na sua oficina, a comunicar através do seu smartphone, até à japonesa Yuima Nakazako a dialogar com os clientes através do computador.

O COVID-19 foi assumido em algumas das apresentações, tais como em Schiaparelli, onde o diretor artístico, Daniel Roseberry, nos relata Nova Iorque, onde ficou preso durante o confinamento e desenhou os esboços para a sua coleção. O designer chinês Guo Pei faz acreditar, através do seu filme, que a crise de saúde mudou "a nossa percepção da vida". Quanto a Franck Sorbier, estabeleceu a ligação entre a peste e a situação atual (duas pandemias em tempos diferentes com pontos comuns), convidando uma certa Madame Covid a interagir na sua história, ambientada pela era victoriana. (Porventura a insinuar o surto de peste entre os séculos XVIII-XX dessa época victoriana, e a gripe espanhola, ou gripe de 1918, após o reinado da rainha Victoria do Reino Unido, mas num tempo onde ainda se viviam as suas influências estéticas.)


Os fatos anti-COVID-19 do duo holandêsVictor & Rolf - Viktor & Rolf


Ronald van der Kemp desdobra um filme em oito capítulos, questionando em particular o futuro, que termina com uma série de close-ups de rostos de todas as idades e origens. A certa altura, vemos um modelo a desenhar passos de dança, enquanto se ergue uma bandeira branca. A marca Viktor & Rolf joga uma carta humorística, com uma coleção intitulada Change (Mudança), oferecendo, entre outras coisas, casacos com espigões para melhor proteção contra perigos externos, ou cilindros brilhantes para uma aposta "que lhe permite preservar a distância, enquanto se mantém atraente".
 
Estes longos meses de confinamento levaram muitos a reconsiderar o impacto da humanidade em geral, e da indústria da moda em particular, sobre o planeta. Muitos tornaram-se ainda mais conscientes das questões ambientais. Para muitos designers, isto resultou num aumento da atracção pela natureza. Em particular Rahul Mishra, Guo Pei e Yanina Couture, estes dois últimos inspirados pela vida selvagem, ou Elie Saab que apela a um "regresso às raízes" na sua bela curta-metragem, onde se fundem texturas naturais e têxteis, enquanto a chuva se transforma em gotas de cristal.
 
O costureiro libanês não revela quaisquer modelos. Como um punhado de outros estilistas, utilizou a plataforma digital da última Semana da Moda para transmitir uma antevisão, revelando através destas poucas sensações visuais uma ideia da coleção a ser apresentada em setembro próximo. A mesma abordagem para a Maison Margiela, que, em 45 segundos de imagens a cores saturadas, nos dá uma prévia nota da sua coleção, que será revelada na totalidade no dia 16 de julho.
 

O teatro silencioso de manequins inanimados de Adeline André - DR


O autor do filme é o fotógrafo inglês Nick Knight, que também assinou o trailer da Valentino, cuja coleção será apresentada alguns dias mais tarde, a 21 de julho, nos estúdios cinematográficos de Cinecittà, em Roma. Frank Sorbier intitulou o seu filme de Prélude (Prelúdio), prometendo exibir a sequela e todo o filme a 21 de setembro no Musée des Arts et Métiers.
 
Foi esta uma estratégia de comunicação inteligente? Só para criar expectativas numa novela virtual... Em alguns casos, a impressão que dá é o tratamento de coleções visivelmente mais pequenas ou inacabadas. Alguns designers apresentaram apenas um look. Outros apenas alguns modelos. Tal como Azzaro, que revelará a parte da sua coleção prêt-à-porter durante a época. O seu filme era mais um vídeo clip do que uma apresentação de alta costura.
 
Este género seduziu outros designers, como Chanel, Alexandre Vauthier e Valentino, que utilizaram um tecido simples que ganha forma com o jogo de luzes no ecrã, acompanhado pela voz da cantora FKA Twigs. A arte em geral, mas também a dança, animou alguns dos filmes, como o de Aelis, ou o de Ulyana Serergenko, com coreografias dignas das comédias musicais dos anos 40 do século XX.
 

Aelis Couture - outono-inverno 2020 -Alta Costura- Paris - © PixelFormula


Uma silhueta dominante vermelha, branca ou preta destacava-se aqui e ali. Outro sinal destes tempos confusos foi a utilização de bonecas, ou modelos de bonecos (Dior, Aganovitch Adeline André, RVDK), símbolos de um novo mundo que se procura a si próprio, ou simplesmente a ausência de desfiles em carne e osso.
 

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