Underwear estimula a inclusão

Para todos os tamanhos, formas e tons de pele, a roupa interior apresenta-se como a mais inclusiva dos últimos anos.


A ideia das manequins da Victoria’s Secret passou a ser mais abrangente e as consumidoras, sobretudo as mais jovens, exigem inclusividade, algo que marcas como Aerie, Monki, Asos e MissGuided estão a responder usando mulheres “reais” nas suas comunicações. A inclusividade reflete-se ainda nos tons nude, cujas vendas aumentaram 127% nos EUA segundo o WGSN, com diversas tonalidades para responder aos diferentes tons de pele.

Em média, as mulheres têm nove soutiens e todos eles terão como destino final um aterro. A sustentabilidade como tendência estende-se também à roupa interior e isso está a levar as consumidoras a mudar os seus hábitos de compra, preferindo adquirir menos mas melhor, mostrando-se disponíveis para pagar mais por artigos que durem mais. A Very Good Bra, por exemplo, desenvolveu um soutien fabricado com liocel, que é completamente compostável, demorando cerca de seis semanas a decompor-se, em oposição ao poliéster, que tarda 200 anos.

O conforto é uma das tendências da estação, algo que tem vindo a revelar-se gradualmente: por exemplo, os soutiens push-up estão a estagnar enquanto os soutiens de desporto e os chamados bralettes ganham crescente popularidade entre as consumidoras. Desenvolver alternativas sem e com arames continua a ser uma prioridade. Para além do conforto, marcas como a The Nude Label, Marie Yat, Everlane e Sokoloff estão a dar prioridade a estilos desestruturados em jersey, promovendo as formas naturais.

As consumidoras querem mais dos seus produtos e, sobretudo, querem opções personalizadas, versatilidade e detalhes que tornem a sua compra especial. Soutiens que combinam características técnicas – como a respirabilidade, tecnologia de infravermelhos para “recarregar” o corpo ou microcápsulas com antioxidantes e hidratantes – em lingerie do dia a dia ou tornam possível o mix-and-match com loungewear estão no topo das preferências. Roupa interior e loungewear que pode ser usado de dia e de noite e misturado com vestuário exterior também são valorizados.

Seguindo as tendências apontadas pelo WGSN, há estilos diferentes que podem ser abordados para a primavera-verão 2020.

Performance e sustentabilidade

Dentro do espírito da tendência Code Create, que explora a junção da ciência, da tecnologia e da natureza, a roupa interior da primavera-verão 2020 deverá recorrer a tecidos de performance de qualidade e ecológicos, assumindo inovações que transmitem maior leveza e conforto, como aros flexíveis e espumas ultraleves para uso quotidiano. Os tecidos, além de respiráveis, são infundidos com aloé-vera, vitamina E e antioxidantes para melhorar a hidratação da pele, e as técnicas de tingimento naturais, como a japonesa shibori, ganham força para criar peças únicas e duráveis. Uma outra direção aponta para a utilização de tecidos transparentes que absorvem, difundem e refletem a luz, criando um look futurista. A pensar na sustentabilidade, importante sobretudo para as marcas de luxo, Code Create apela à inspiração e reutilização de matérias-primas, recorrendo a materiais resultantes da transformação de redes de pesca e garrafas de plástico usadas.

Romântica e delicada

Em sintonia com a tendência Designing Emotion, que apela às emoções, o ar romântico, as malhas suaves e os bordados campestres juntam-se para criar loungewear e roupa interior delicada e com uma certa reminiscência campestre. Drapeados e dobras são usadas para manipular tecidos suaves, que se transformam em peças que se moldam ao corpo e que, além de serem usadas em casa, podem também sair à rua. A aposta em microfibras respiráveis origina peças com efeito segunda-pele, para artigos básicos, incluindo roupa interior invisível, mas que combinam a funcionalidade com um design irrepreensível. Silhuetas desconstruídas em tecidos orgânicos, que transmitem a serenidade da vida campestre, são perfeitas para uma utilização contemporânea e urbana.

Ousadia e juventude

A pensar num público mais jovem, a tendência Empower Up! oferece roupa interior mais arrojada. A cidade de Los Angeles inspira estilos pin-up, que combinam silhuetas dos anos 80 com padrões leopardo dos anos 90 e onde a renda é rainha e senhora. A direção aponta ainda para uma estética upcycled, com um visual patchwork a atingir as malhas. Os motivos tradicionais do beachwear chegam à roupa interior na estação quente de 2020, onde pontuam cores estivais e padrões ousados. Nos padrões imperam ainda os estampados tribais, inspirados em África e no Médio Oriente e aplicados em loungewear, vestidos, calções e camisolas interiores, e as técnicas artesanais, como o crochet, o macramé e o stencil. Os básicos são ousados, bebendo inspiração no streetwear.
 

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