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Versatilidade no Portugal Fashion

Por
Portugal Textil
Publicado em
today 31 de out de 2019
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O Portugal Fashion abriu portas à criatividade e deixou brilhar os designers nacionais com as coleções primavera-verão 2020. Cores vivas, denim, volume e transparências estão no topo da lista de tendências. Sustentabilidade é uma preocupação e o mercado asiático um objetivo de conquista.


Luís Buchinho


De 23 a 26 de outubro, a Alfândega do Porto recebeu as passerelles do Portugal Fashion com as tendências para a próxima estação quente. Cores fortes como o laranja, azul, vermelho e amarelo tiveram grande destaque nas criações dos designers mas sem nunca derrubar os tons básicos como o preto, branco, bege e cinzento. O volume deu forma às peças e as transparências um toque mais audaz às coleções. O denim, os laços e os pormenores femininos vieram para ficar, assim como os estampados, os padrões de xadrez e os acessórios.

Katty Xiomara aposta em grandes laços, transparências e tecidos fluidos, que dão a sensação de movimento aos coordenados, apresentados de forma criativa, na Tipografia do Conto. A coleção “After Now” pauta-se pela versatilidade e procura responder às preocupações ambientais.

O evento de moda foi marcado pelo uso do preto e branco em praticamente todas as coleções. Luís Buchinho usou e abusou dos tons cinzentos e pretos como conjugação e Inês Torcato recorreu ao branco e ao preto para construir visuais monocromáticos. Já o designer francês Nicolas Lecourt Mansion privilegiou tons terrosos para além do preto e do branco. Os tecidos acetinados estão em maioria para corresponder à tendência do brilho, mas o denim não ficou para trás à semelhança das transparências e dos diferentes tipos de decotes arrojados da coleção.

Diogo Miranda surpreendeu com uma apresentação romântica à beira rio, inspirada no filme “I am Love” de Luca Guadagnino. Sob a passerelle azul, foram reveladas peças volumosas com laços que não esquecem as formas femininas. «Quis fazer algo mais dramático, mesmo na escolha das cores. As peças mais especiais foram a gabardine em seda bege que abriu o desfile e os quatro vestidos sublimados em laranja, amarelo, azul e preto» destacou o designer que, numa perspetiva de negócio, está a viver o «melhor ano que têm tido nos últimos tempos», garantiu ao Portugal Têxtil.

Magnetismo asiático

Sophia Kah, a marca que já vestiu Beyoncé, inspirou-se em Portugal para criar a coleção que utiliza muitas rendas produzidas de forma manual. Pela primeira vez, Ana Teixeira de Sousa subiu à passerelle com as costureiras como «forma de homenagear o trabalho delas e todo o apoio que me dão porque sem uma equipa nada é possível» explicou a designer. Branco, preto, amarelo e azul compõem a paleta de cores das propostas. Apesar de ainda não ter conseguido conquistar a Ásia, o desejo persiste como um «projeto futuro e objetivo», confessou.

A dupla Alves/Gonçalves mostrou sofisticação na passerelle com «tecidos que não são o que eram. Manipulámos os tecidos todos graças à indústria que existe no Norte, capaz de nos entender» revelou Manuel Alves. A modelo Maria Miguel desfilou a peça-chave da coleção, um vestido preto de organza com muito movimento. A ideia de que os vestidos curtos têm de ser justos não existe nesta coleção, uma vez que as peças volumosas tomaram conta da passerelle. Num futuro próximo, a marca estará mais «direcionada para a Ásia» segredou Manuel Alves ao Portugal Têxtil.

Qualidade sustentável

A Pé de Chumbo criou uma coleção com o objetivo de consciencializar as pessoas para a importância da natureza nas mudanças climáticas. Os tons terra fazem-nos viajar até à floresta e as cores da coleção contam a história de uma selva que nasce e acaba por morrer. «Tem muito verde, muita natureza…vermelhos, pretos…» mencionou a designer. As peças foram marcadas pelo relevo das fitas de organza, pelas franjas e pelo padrão de xadrez.

Miguel Vieira mostrou que a alfaiataria pode ser divertida num desfile que emocionou a plateia com o tema modernismo. «A coleção é muito gráfica em termos de estampados e sublimados. Houve uma grande preocupação com a parte ecológica, nomeadamente com os corantes. É uma coleção com tecidos de grande qualidade» apontou o designer, que já comemorou 30 anos de atividade.

A Marques’Almeida despertou a plateia na manhã do último dia do evento com as cores vivas e chamativas que contrastam com os tons básicos da coleção. Os padrões animais também foram uma tendência no desfile pelos jardins de Serralves. Sustentabilidade foi a palavra de ordem, sendo que a maior parte dos materiais da coleção são reciclados.

Passerelle de novos talentos

O Portugal Fashion e a Sonae Fashion juntaram-se para apoiar a iniciativa Bloom que inaugurou o primeiro dia do evento. «O Bloom é uma plataforma de apoio a jovens designers emergentes que lhes permite dar o pontapé de saída para a realidade de criar uma marca» resumiu Paulo Cravo coordenador da plataforma. MODATEX, CENATEX, ESAD, EMP, ESART e FAUL selecionaram alguns alunos para apresentar o trabalho que desenvolveram. «É um patamar onde todos queremos chegar. É uma oportunidade incrível que pode abrir portas no futuro» sublinhou Débora Barros, aluna da ESART.

A plataforma, que faz uma década em março, contou com a presença de Carolina Sobral, Arieiv, João Sousa e 0.9 Virus no Bloom Upload.

​Pela primeira vez, em parceria com a Camera Nazionale della Moda Italiana, alguns designers finalistas italianos tiveram a oportunidade de mostrar as suas coleções a Portugal. Alessia Scasserra, Enrico Vettorazzo, Eleonora Giussani, Ottavia Molinari, Chiara de Nigris, Pietro Fadda e Francesco Murano foram os estudantes escolhidos para promover a internacionalização. O brilho foi um dos apontamentos presentes em várias peças dos designers italianos assim como as peças volumosas, transparentes e texturizadas.

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