Yoox Net-a-Porter: uma entrada de sucesso na Bolsa

É com uma certa emoção que Federico Marchetti tocou o sino para anunciar oficialmente o arranque da cotação do título Yoox Net-a-Porter Group (YNAP) na passada segunda-feira de manhã na Bolsa de Milão, toda preparada para a ocasião.
 
"É um novo capítulo que se abre. O grupo Yoox Net-a-Porter não será nem italiano, nem inglês. Ele não falará senão um único e mesmo idioma, aquele da inovação tendo por objetivo tornar-se o maior e mais belo distribuidor de luxo em linha no mundo", proclamou o dirigente desta nova entidade, que vai reunir 2 milhões de clientes em todo o mundo, ao passo que o volume de negócios combinado das duas empresas atinge hoje 1,300 milhões de euros.

A Bolsa de Milão acolheu na passada segunda-feira, 5 de outubro, o novo grupo Yoox Net-a-Porter

Os primeiros passos na Bolsa da "maior loja de luxo do mundo" foram calorosamente aplaudidos por uma plateia de personalidades, entre as quais figuravam na primeira fila o fundador da Diesel Renzo Rosso, acionista histórico da Yoox, Laudomia Pucci, o dirigente da Eataly, Oscar Farinetti, Lapo Elkann (Italia Independent), ex-CEO da Luxottica Andrea Guerra e Raffaello Napoleone, CEO da Pitti Immagine e presidente do conselho de administração da YNAP.
 
"É a segunda vez que me encontro aqui. A primeira vez, para a introdução da Yoox na Bolsa em 2009, nós estávamos em uma sala no sub-rés-do-chão. Desde então, o título deu um salto de 600%", lembra-se sorrindo Federico Marchetti.
 
"Na época, vocês não eram muitos a creditar nisso. Eu, eu acreditava desde o início, e esta fusão, eu penso nela há seis meses", garante o empresário visionário, que apresenta o percurso paralelo seguido pela Yoox e Net-a-Porter. Dois sítios de vendas de moda e de luxo que, segundo ele, se completam hoje idealmente.

Federico Marchetti

As duas empresas nasceram em junho de 2000, uma fundada em Bolonha por Federico Marchetti, a outra em Londres por Natalie Massenet, que se retirou do projeto no início de setembro. A primeira se tornou parceira 'e-commerce' das principais marcas de luxo, enquanto a segunda se focalizou mais no conteúdo editorial. Em 2006, elas lançaram cada uma seu primeiro 'e-commerce' monomarca da conta de uma grife (Marni para Yoox, Jimmy Choo para o Net-a-Porter).
 
"Nós pegamos dois caminhos diferentes, mas nos tornamos dois líderes em nosso mercado. A fusão se faz com base na complementariedade, por exemplo, reunindo nossos centros logísticos que serão agora 9, uma vez que a Net-a-Porter possui centros em locais que nos faltavam e vice-versa", explica Federico Marchetti.
 
Os dois sítios continuarão a ser geridos de maneira independente e vertical. Não haverá, portanto, mudanças aparentes para o consumidor final. Tudo será desempenhado nos bastidores, onde o grupo se beneficiará de uma plataforma muito mais poderosa com um sortimento mais amplo de produtos. YNAP vai assim implantar um "global program store", que permitirá a um cliente, onde quer que ele esteja no mundo, ter acesso a todos os centros de distribuição do grupo e não mais somente àquele da região onde se encontra.

Um público numeroso foi convidado para a estreia na Bolsa da Yoox Net-a-Porter - FashionMag.com (DM)
 
"Segundo as previsões prudentes, esta complementariedade vai levar a sinergias de mais de 60 milhões de euros em termos de Ebitda a partir do terceiro ano, isto é, em 2018, quando as duas empresas estarão totalmente integradas. Não haverá nenhum licenciamento, pois esta fusão é, antes de tudo, uma história de crescimento e não de racionalização industrial. A fusão será feita de maneira paritária", sublinha ainda Federico Marchetti.
 
O grupo Richemont, detentor da Net-a-Porter, é acionista com 50% do novo grupo, mas seus direitos de voto são limitados a 25%. O grupo de luxo suíço anunciou na passada segunda-feira em um comunicado um ganho, por meio da fusão, compreendido entre 610 e 670 milhões de francos suíços (559-614 milhões de euros), ou seja, um montante líquido superior àquele que era esperado.
 
Federico Marchetti se mostrou entusiasmado com os bons resultados na China, onde Yoox viu suas vendas triplicarem a despeito da desaceleração económica neste mercado. "Há na China uma clara diferença entre os sítios em linha e as lojas físicas", destacou sem dar outros detalhes financeiros, se este é apenas um plano industrial estratégico de cinco anos, ele será apresentado na primavera de 2016.

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