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AFP
Publicado em
2 de mai de 2013
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3 Minutos
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Bangladesh: as operadoras sob pressão após a tragédia

Por
AFP
Publicado em
2 de mai de 2013

(AFP) – As empresas operadoras estavam sob pressão nesta última terça-feira após a tragédia de Bangladesh, com o pagamento das primeiras indenizações e com os inúmeros pedidos de transparência para a cadeia de suprimentos do setor têxtil.

Menos de uma semana após o desabamento de um imóvel que abrigava oficinas de confecção próximo da capital Daca, duas marcas envolvidas com essas oficinas se comprometeram desde já a indenizar as famílias das vítimas empregadas por seu fornecedor.

A Primark foi a primeira marca a anunciar que quer indenizar as famílias das vítimas


A marca britânica Primark deu o exemplo já na segunda-feira, sem especificar o montante dos auxílios financeiros. O grupo varejista canadense Loblaw, que está ligado ao drama por intermédio de sua filial de vestuário a preços acessíveis Joe Fresh, seguiu os passos da britânica, prometendo um auxílio "significativo".

Um gesto sudado pela ONG Oxfam que conclama "as outras empresas, que possuem espaços neste prédio, a seguir este exemplo", a ouvir desde agora "a voz e os anseios dos trabalhadores" e a respeitar as normas de segurança nas oficinas.

"É o mínimo que eles podem fazer", reagiu Gareth Jones, que trabalha em Londres, onde ocorreu no sábado uma pequena manifestação, em frente à nova loja Primark, ao som de palavras de ordem como "Ame a moda, odeie as confecções miseráveis" ou "Que vergonha Primark".

Neste dia, a Primark e a Loblaw foram as únicas marcas a terem confirmado que são abastecidas pelas oficinas do Rana Plaza, o imóvel construído sem autorização legal, cujo desabamento causou a morte de 387 pessoas.

"Se as marcas mantiverem silêncio, então elas correm o risco de parecer indiferentes ao drama. Elas têm interesse de manifestar-se para esclarecer a situação", comentou com a AFP Benjamin Martin da Publicis Consultant.

"Elas não podem mais fingir que não sabiam", pois que já houve um antecedente: em novembro de 2012, um incêndio em uma fábrica de produtos têxteis, que fornecia para a americana Walmart entre outras marcas, havia feito 111 mortos na periferia de Daca.

A responsabilidade do proprietário do imóvel, Sohel Rana, indiciado por homicídio culposo, foi estabelecida neste drama, mas este tipo de acontecimento poderia, mais cedo ou mais tarde, causar receios nos varejistas ocidentais em relação à deterioração de sua imagem.

"Aquela que tirar sua equipa do campo será aquela que tiver o domínio completo de seu sistema de suprimento e que provar que não há empresa terceirizada escondida", afirma o perito da Publicis.

Para Julie Stoll, delegada-geral da Plataforma para o comércio equitativo, "há claramente um problema de transparência e de rastreabilidade no setor", visto a dificuldade das empresas citadas para saber se o drama atingiu seus fornecedores ou não.

"Se há dez anos, as repercussões teriam sido menores, daqui por diante os vestígios permanecer nas redes sociais", adianta o perito da Publicis.

O grupo espanhol de prêt-á-porter Mango escolheu justamente o Facebook para prestar condolências aos familiares. Ao deixar claro que não era cliente da empresa Phantom, coproprietária de uma das oficinas de confecção atingidas pelo desabamento, à qual ele diz ter feito apenas pedido de amostras, "cuja produção ainda não havia começado".

Por sua vez, o grupo italiano Benetton divulgou que "um único pedido passado para um dos fabricantes envolvidos foi realizado e entregue várias semanas antes do acidente". O grupo garante que "desde então, a empresa subcontratada foi riscada da lista de seus fornecedores" e lembra que realizou auditorias sociais "de forma contínua".

Do lado dessas auditorias, multiplicam-se pedidos defendendo um salário mínimo para todos os intermediários do setor, bem como "a divulgação das condições ambientais e sociais" pra que o consumidor se sinta mais envolvido.

Pois que, por enquanto, as práticas do setor têxtil "ainda não são uma prioridade para o consumidor europeu", reconheceu uma grande associação europeia de consumidores.

Por Anne Padieu

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