×
Por
AFP
Publicado em
23 de mar de 2015
Tempo de leitura
3 Minutos
Partilhar
Fazer download
Fazer download do artigo
Imprimir
Clique aqui para imprimir
Text size
aA+ aA-

Baselworld: fabricantes suíços querem realçar o desafio do relógio conetado

Por
AFP
Publicado em
23 de mar de 2015

Baselworld, o grande encontro internacional da relojoaria e da joalharia, arrancou este ano com uma nota mais incerta, depois de anos de forte crescimento face aos novos desafios que se acumularam, notadamente a concorrência do relógio conetado.

Baselworld

Este setor, que parecia há muito tempo desafiar a crise económica, agora enfrenta uma fase de turbulências entre as medidas de luta contra corrupção na China, que atingiram fortemente as vendas de relógios de prestígio há dois anos, as sacudidas sobre o rublo que mordiscaram o poder de compra da rica clientela russa e a recente chamuscada sofrida pelo franco suíço desde a mudança de rumo da política monetária do banco helvético.
 
“Você dizer que estamos a passar por um momento de euforia não seria muito sério”, declarou Sylvie Ritter, a diretora do salão, durante uma conferência de imprensa na véspera (18) da abertura do Baselworld ao público na passada quinta-feira (19).

No entanto, ela diz que espera que a edição, que continua a ser um grande encontro imperdível para os profissionais do setor, alcance de novo um grande eco, uma vez que cerca de 150.000 visitantes, provenientes de mais de 40 países, são aguardados para este salão que reúne 1.500 expositores.  
 
O evento está a ser dominado este ano pelo relógio inteligente, em reação ao lançamento eminente do relógio da Apple, a gigante californiana da tecnologia, que chegará às lojas a 24 de abril em nove países, dentre os quais Estados Unidos, França e Reino Unido.
 
Mais de dez marcas de fabricantes suíços de relógios já anunciaram que iam apresentar relógios conetados no Baselworld, apontou Sylvie Ritter, que se disse convencida que a tecnologia poderá perfeitamente coabitar com a relojoaria de tradição.
 
“Esses dois universos são mais complementares que antagonistas”, avaliou a diretora do salão.
 
De acordo com as projeções do escritório de investigação americano Strategy Analytics, a Apple pode vender 15,4 milhões de unidades em todo o mundo em 2015.
 
Seu modelo de base, que custará 349 dólares, se situa bem abaixo do nível dos preços praticados pelos fabricantes suíços de relógios.
 
Mas a gigante da tecnologia, que exibe sólidas ambições para o seu relógio “revolucionário”, prevê também lançar um modelo de luxo, de mais de 10,000 dólares, que vem claramente tentar usurpar os canteiros desses fabricantes.
 
De qualquer maneira, os fabricantes de relógios parecem estar prontos para descosturar esta aposta a fim de proteger seus pastos.
 
A Tag Heuer, principal marca do conglomerado francês de luxo LVMH no segmento de relojoaria, na realidade pretende jogar no mesmo campeonato que a marca americana da maçã.
 
“Junto com nossos parceiros, vamos tentar fazer tão bem quanto a Apple, mas de maneira diferente”, declarou Jean-Claude Biver, o dirigente do polo da LVMH, durante uma entrevista à AFP, prometendo que o anúncio seria poderoso.
 
Enquanto os relógios conetados estavam praticamente ausentes do salão no ano passado, várias marcas suíças lançaram-se recentemente nesta corrida, a exemplo da Breitling, que apresenta nesta edição um cronógrafo conetado para pilotos de avião, ou da Frédérique Constant, que lança um relógio que permitirá o acompanhamento dos ciclos do sono.
 
Durante a conferência de imprensa, Ronald Bernheim, um dos fundadores da Mondaine, marca que fornece os relógios das estradas de ferro suíças, explicou que a situação é um pouco diferente dos anos 1970, um período durante o qual a relojoaria suíça atravessou uma profunda crise face à chegada dos relógios quartz japoneses.
 
“Mas eu penso que é uma questão que devemos levar a sério”, afirmou ele.
 
Longe dos relógios conetados, os bastante ricos visitantes do Baselworld poderão ainda se voltar para a joalharia de altíssima gama londrina Graff, que oferece por 40 milhões de dólares “La fascination”, com 152,6 carats de diamantes brancos dos mais puros, um relógio em forma de diamante pera que pode transformar-se para ser utilizado como bracelete ou como anel.

Copyright © AFP. Todos os direitos reservados. A Reedição ou a retransmissão dos conteúdos desta página está expressamente proibida sem a aprovação escrita da AFP.