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AFP
Publicado em
16 de abr de 2013
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3 Minutos
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China: o crescimento continua elevado, mas seus fundamentos são frágeis

Por
AFP
Publicado em
16 de abr de 2013

O crescimento da China acelerou ligeiramente no primeiro trimestre de 2013, em relação ao trimestre anterior, estimam os analistas entrevistados pela AFP que, contudo, jugam esta recuperação frágil e os números do comércio exterior, no mês de março, sujeitos à reavaliação.

O distrito financeiro de Changai (AFP)


A alta do produto interno bruto (PIB) durante os três primeiros meses do ano deve ter atingido 8% no acumulado do ano, segundo a previsão média deste painel de 12 economistas, ou seja, um pouquinho mais do que os 7,9% registrados pela segunda maior economia mundial no quarto trimestre de 2012.

O governo deve anunciar nesta segunda-feira o número oficial do crescimento para o primeiro trimestre. Em 2012, o PIB chinês registrou, com 7,8%, seu mais fraco aumento em 13 anos, mas Pequim manteve seu objetivo de crescimento para este ano, chegar a 7,5%.

Para sustentar o crescimento, no ano passado, o Banco Central chinês tornou flexível a política monetária e as condições de crédito, supervisionando de perto a inflação, politicamente sensível.

Por hora, a alta dos preços continua moderada, em apenas 2,1% no acumulado do ano em março, mas poderia acelerar por conta do crescimento muito rápido do crédito em janeiro e em março.

"Apesar de as vendas no varejo terem continuado de vagar no primeiro trimestre, por conta da onda de repressão do governo contra a corrupção e os gastos desmedidos dos responsáveis oficiais, as vendas estão muito mais fortes do que o previsto no setor "automotivo e imobiliário", segundo Liu Ligang, economista do banco Australia and New Zeland (ANZ).

Mas, segundo este analista, as vendas de imóveis foram favorecidas por uma corrida dos compradores antes da instituição das novas medidas restritivas para refrear a especulação, e as melhorias poderiam, por conseguinte, não durar.

"Antes de tudo, a economia é sustentada por projetos de infraestrutura... o que não pode, de maneira nenhuma, ser mantido a longo prazo", avalia, por sua vez, Shen Jianguang, da corretora Mizuho Securities de Hong Kong.

Ele ressalta particularmente que "o consumo de eletricidade em março conheceu um crescimento nulo, o que significa que a demanda de investimento estava muito fraca por causa do excesso de capacidade".

Os números do comércio exterior, para o mês de março, durante o qual a China, que geralmente apresenta superávit, registrou um pequeno déficit de 880 milhões de dólares, são observados com ceticismo por muitos analistas.

Alistair Thornton e Ren Xianfang, da IHS Global Insight, ressaltam que dessa forma as exportações para Hong Kong – as quais servem principalmente de plataforma de "reexportação" para outros destinos – aumentaram 93% no mês passado, ao passo que as exportações para a União Europeia e os Estados Unidos, principais destinos dos produtos chineses, diminuíram respectivamente 14% e 7%.

"Isso parece, ao menos, um pouco contraditório", segundo os economistas que se perguntam se alguns exportadores não inflaram artificialmente seus pedidos para fazer com que capitais especulativos entrassem na China.

Falsos pedidos de compra também puderam ser validados para beneficiar abatimentos fiscais sobre as exportações, considerando que "certo nível de pressão política" pôde ser utilizado para que pedidos fossem registrados com antecedência, com a finalidade de melhorar as estatísticas durante a transição política na cúpula do partido no mês passado na China, avaliam ainda os analistas.

Durante os dois primeiros meses do ano, as exportações haviam crescido 21,8%, um número "provavelmente manipulado, por conta do fato de os exportadores terem inflado suas declarações para poder importar divisas", juga assim Lu Ting, do Bank of America – Merril Lynch.

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