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Novello Dariella
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11 de jul de 2017
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J&F cancela a venda da Alpargatas por diferenças em relação ao preço

Por
Reuters
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
11 de jul de 2017

A J&F Investimentos SA cancelou as negociações para vender uma participação da brasileira Alpargatas SA à Cambuhy e Itaúsa por diferenças em relação ao preço, informou uma fonte com conhecimento direto sobre assunto no domingo (9).

Segundo a fonte, a J&F rejeitou a pressão da Cambuhy Investimentos Ltda e Itaúsa para baixar o preço de venda de 86% da Alpargatas, que detém a marca Havaianas. A fonte se recusou a dar detalhes sobre os valores.


Reuters


No domingo cedo, a Reuters informou que Cambuhy e Itaúsa estavam dispostos a pagar entre 3.3 e 3.5 bilhões de reais (1 bilhão - 1.1 bilhões de dólares) pela Alpargatas.

Cambuhy, Itaúsa e Bradesco não comentaram os rumores, assim como a J&F não emitiu novo comunicado.

A J&F, que supervisiona a fortuna bilionária da família Batista, deve arrecadar dinheiro para pagar uma multa de 10,3 bilhões de reais e refinanciar empréstimos que vencem em breve. Os irmão proprietários da J&F, Joesley e Wesley Batista, assinaram um acordo em maio, depois de admitir o suborno de quase 1.900 políticos.

Os Batista querem retomar o processo de venda da Alpargatas sob a forma de um leilão competitivo "o mais rápido possível", disse a fonte, que preferiu se manter no anonimato.

A J&F contratou o Banco Bradesco BBI como assessor no processo de venda.

As ações ordinárias da Alpargatas, que tem sede em São Paulo, aumentaram 35% nos últimos três meses com a especulação de que os Batista colocariam a empresa à venda. O valor das ações subiu 63% este ano.

De acordo com a fonte, a J&F queria um valor maior pela Alpargatas, que também gerencia uma grande variedade de marcas brasileiras de moda, incluindo a marca de moda praia Osklen. As sandálias da Havaianas foram criadas em 1962 durante o movimento musical brasileiro Bossa Nova e são usadas globalmente, sendo sucesso também entre celebridades como Blake Lively e Jennifer Aniston.

A Itaúsa supervisiona a fortuna das famílias brasileiras Villela e Setúbal, que controlam o Itaú Unibanco Holding SA, o maior banco latino-americano por ativos. Cambuhy é o escritório da bilionária família brasileira Moreira Salles, também um importante acionista Itaú.

Tanto Cambuhy quanto Itaúsa informaram em 26 de junho que, se sua proposta fosse bem sucedida, eles dividiriam igualmente a participação da Alpargatas. A Reuters reportou a proposta de licitação preliminar em 16 de junho.

Multas e dívidas

O ritmo das negociações entre a J&F e o grupo Cambuhy-Itaúsa aumentou nos últimos dias, já que os credores pressionaram os Batista a renegociar mais de 30 bilhões de reais de dívida da J&F e da JBS SA, uma das maiores indústrias de alimentos do mundo, que também pertence aos irmãos.

Segundo a Reuters, os Batista planejavam usar o dinheiro da venda da Alpargatas para pagar um empréstimo de financiamento de 2,7 bilhões de reais à Caixa Econômica Federal. O empréstimo está sendo investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por possíveis irregularidades.

Os irmãos Batista adquiriram a Alpargatas em dezembro de 2015 do conglomerado de construção Camargo Correa SA, outra companhia brasileira envolvida em escândalos de corrupção.

Participações majoritárias da J&F na produtora de laticínios Fábrica de Produtos Alimentícios Vigor SA e na Eldorado Brasil Celulose SA também estão à venda.

A venda da Alpargatas, Vigor e Eldorado poderia arrecadar 10 bilhões de reais e reduzir as dívidas da J&F em mais de 10 bilhões de reais, informaram pessoas próximas às estratégias da família à Reuters, no domingo.
 

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