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30 de nov de 2017
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Lectra: Portugal e Espanha, dois países mas um só mercado

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Jornal T
Publicado em
30 de nov de 2017

A integração, debaixo do mesmo chapéu, das operações da Lectra na Península Ibérica corresponde a um ajustamento à realidade de que Portugal e Espanha são dois países mas um só mercado – explica Rodrigo Siza, 51 anos, que após dez anos como diretor geral da filial portuguesa passou, desde o início do verão, a desempenhar as funções de Regional Diretor ibérico da multinacional francesa.


Outrora de costas voltadas, os dois países ibéricos evoluíram no sentido de serem um só mercado, com as economias integradas, embora permaneçam diferenças. No particular da industria têxtil, os espanhóis souberam ter sucesso no retalho e na criação de marcas, enquanto do lado de cá da fronteira os portugueses especializaram-se na manufactura.

“Em Espanha, quando se fala de confecção fala-se de Portugal”, declara Rodrigo, acrescentado que na última dúzia de anos, cerca de metade da fábricas de confecção espanholas fecharam as portas.

Esta divisão de tarefas reflete-se na estrutura de negócios da Lectra, que em Portugal faz na área de manufactura 90% do seu volume de negócios, enquanto que em Espanha essa componente vale apenas 20’% – e a fatia de leão é feita com a venda de produtos e serviços nos segmentos de marcas e retalho. 

Mas diferenças entre os dois países não se ficam por aqui. Em Espanha, as indústrias automóvel e da aeronáutica pesam muito mais na operação da Lectra do que em Portugal. E há ainda a ter em conta a dimensão e geografia.

“Em Portugal, temos cerca de 70% dos clientes concentrados num raio de 30 a 40 km de distância. Em Espanha, não raro um comercial tem de viajar 500 a 600 km para visitar um cliente”, conta Rodrigo, que continua baseado no Porto, mas por norma trabalha em Madrid no início da semana.

Galiza, Catalunha, Euskadi e Valência são, para além de Madrid, as regiões onde está concentrada o essencial da clientela da Lectra Espanha, que faz um volume de negócios de seis milhões de euros e emprega 52 pessoas – das quais uma parte (17) está afecta à área de investigação e desenvolvimento herdada da compra pela Lectra, em 2004, da espanhola Investrónica.

A Lectra Portugal, onde trabalham 22 pessoas, deverá fechar o ano com vendas ligeiramente superiores a 10 milhões de euros, registando um crescimento de 2 a 3%  face ao exercício de 2016, o melhor de sempre da história da filial.

Mas uma comparação primária destes números pode induzir em erro. “Portugal é um mercado maduro. A Espanha não só tem um maior potencial de crescimento como trabalhamos com uma margem maior devido à diferente natureza dos produtos que vendemos”, explica Rodrigo, que está feliz “pelo grande desafio” e sempre gostou “de todas as Espanhas”.

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