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12 de nov. de 2013
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Xu Ying Xin: "Já é tempo para a China investir fora de suas fronteiras"

Publicado em
12 de nov. de 2013

A indústria Chinesa está a passar por uma transição em direção a produtos mais top de gama, consequência dos sucessivos aumentos salariais. Uma mutação em torno da qual os responsáveis do setor desenvolveram uma estratégia, que mescla reforço tecnológico, criações de marcas, desenvolvimento sustentável e formação. Mas é também no exterior que os industriais chineses estão investindo, como explicou ao FashionMag Xu Ying Xin, o vice-presidente do CNTAC (China National Textile & Apparel Council) e vice-presidente executivo do CCPIT (Sub-Council of Textile Industry) por ocasião do salão Intertextile em Xangai.

Xu Ying Xin


FashionMag: Como o senhor pretende acompanhar a evolução pela qual a produção chinesa passa na atualidade?
Xu Ying Xin: Nós contamos com dezenas de milhares de indústrias e o nosso objetivo é tornar essas indústrias mais fortes e mais sofisticadas. No período recente, a economia mundial e a situação do mercado mudaram. A própria economia chinesas se transformou. Na verdade, temos de reconstruir nossa indústria e melhorar a qualidade de nossa indústria têxtil. Um dos aspectos-chave para essa transformação é a tecnologia. Temos de atualizar e reforçar nossas capacidades tecnológicas para atender melhor à demanda. Outro ponto é o desenvolvimento de nossas marcas próprias e a promoção das marcas chinesas. Já contamos com muitas delas. E elas têm de subir progressivamente na escala de gama de produtos. Os consumidores adoram consumir marcas. Portanto, precisamos colocá-las em evidência. Esperamos que, dentro de dez anos, já tenhamos várias centenas de belas marcas para promover.

FM: Durante o salão o senhor insistiu na redução dos níveis de poluição industrial. Como o senhor espera mudar as práticas atuais da indústria?
XYX: Dentre as prioridades, nós colocamos a sustentabilidade de nossa indústria. Hoje, e não só na China, estamos todos preocupados com a redução da poluição emitida por nossa atividade e com a proteção do meio ambiente. Em nossa indústria, o desenvolvimento de novas abordagens nesta área também é muito importante. A reciclagem, a utilização de fibras naturais... E tantas outras maneiras que nos permitem reduzir a poluição no futuro. Principalmente dentre as atividades de tinturaria e de tecelagem, na China, onde incentivamos fortemente as indústrias a tratar a água utilizada para o reaproveitamento.

FM: Os expositores chineses do salão Intertextile quase sempre ressaltam a questão da formação. Qual é o seu ponto de vista em relação a essa aposta?
XYX: Esta é a quarta prioridade que identificamos: proporcionar uma melhor formação para nossos profissionais. Queremos desenvolver a indústria, mas, no final, o trabalho fica nas mãos das pessoas que trabalham nas fábricas. Na China, temos universidades, escolas técnicas e centros de formação. É um aspecto primordial. Temos de alcançar uma quantidade maior de pessoas capazes de compreender essas novas tecnologias, capazes de desenvolver novos designers. Nesse sentido, aliado aos três outros pontos de desenvolvimento dos quais já falei para nosso setor, achamos que assim vamos poder continuar fortes na indústria mundial do têxtil e do vestuário. E, principalmente, manter nossa competitividade no cenário internacional.

FM: O senhor se preocupa de ver várias empresas chinesas proceder à delocalização de suas produções de entrada de gama?
XYX: Já é tempo para a China e suas empresas investirem fora de suas fronteiras. Hoje, muitas já se encontram em alguns países, como o Bangladesh e o Vietnã. Ainda há pouco tempo, uma grande delegação do Paquistão chegou a Xangai para conversar com nossos dirigentes. Eles estão a adotar regras que vão permitir que as empresas chinesas desenvolvam mais facilmente uma atividade no Paquistão. Portanto há uma transformação muito grande em curso. As empresas chinesas vão prosseguir com esses investimentos no exterior. Porém, quanto às maneiras de fazê-lo, elas têm uma grande leque de opções. Seja construindo fábricas, comprando empresas existentes ou colaborando com marcas estrangeiras... O desenvolvimento do setor chinês no exterior vai tomando forma.

FM: Há pouco uma área de livre comércio foi estabelecida em Xangai. O que esperar dessa nova empreitada e o senhor gostaria de ver outras dessa?
XYX: É claro que eu acho que essas áreas poderiam tornar as exportações chinesas mais fáceis para os parceiros estrangeiros. As empresas que aderiram a este projeto de desenvolvimento devem ver rapidamente os benefícios que a área lhes oferece. Quanto a saber se seria preciso outras no mesmo modelo, não posso te responder: honestamente eu ainda não pensei muito a respeito. Mas é uma possibilidade.

Foto: FashionMag

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